domingo, 8 de março de 2015

Ronco aumenta risco de problemas de comportamento na infância

Lista de problemas inclui falta de atenção, hiperatividade e depressão.
Uma em cada dez crianças ronca regularmente, segundo especialistas.

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Um estudo realizado com mais de 11 mil crianças ao longo de seis anos constatou que transtornos de respiração ao dormir podem gerar problemas de comportamento, segundo um artigo publicado nesta segunda-feira (5) pela revista "Pediatrics".

De acordo com os pesquisadores da Faculdade de Medicina Albert Einstein, da Universidade Yeshiva, em Nova York (EUA), entre os transtornos de comportamento vinculados aos problemas de respiração se encontram a hiperatividade e a agressividade, ao lado de outros problemas emocionais.
"Este estudo proporciona as provas mais consistentes, até o momento, de que transtornos como ronco, respiração pela boca e a apneia podem ter consequências de conduta e emocionais em crianças", afirmou a principal autora da pesquisa, Karen Bonuck.
"Os pais e os pediatras deveriam prestar mais atenção na ocorrência de transtornos na respiração das crianças enquanto elas dormem, talvez desde o primeiro ano de vida", acrescentou Karen.
Estes transtornos costumam atingir crianças entre dois e seis anos, mas também ocorrem em idades menores.
Aproximadamente uma em cada dez crianças ronca regularmente, e entre 2% a 4% têm apneia, segundo a Academia Americana de Otorrinolaringologia. Entre as causas mais comuns destes transtornos estão o tamanho excessivo das amígdalas e adenoides.
A pesquisa analisou os efeitos combinados do ronco, apneia e respiração pela boca em meninos e meninas registrados no Estudo Longitudinal Avon de Pais e Filhos, projeto que tem sede no Reino Unido.
Pais e mães respoderam a um questionário sobre os sintomas respiratórios de seus filhos durante vários intervalos, dos seis meses até os cinco anos e nove meses de idade.
Quando as crianças tinham entre quatro e sete anos, os pais responderam outro questionário para avaliar o comportamento delas.
Este teste tem escalas que examinam a falta de atenção, hiperatividade, ansiedade, depressão e problemas de relacionamento com os pais.
O questionário também é usado na avaliação de problemas de conduta como agressividade e a transgressão da regras, e o comportamento socialmente positivo, como compartilhar jogos e posses e mostrar disposição a ajudar.
Os pesquisadores relativizaram 15 possíveis variáveis que podem confundir os resultados, como peso do bebê ao nascer, status socioeconômico e se a mãe fumava no primeiro trimestre da gravidez.
"Constatamos que as crianças com transtornos de respiração ao dormir eram de 40% a 100% mais propensas a desenvolver problemas neurológicos de comportamento por volta dos sete anos de idade, comparados com as crianças que não apresentavam transtornos da respiração', explicou Bonuck.
"A principal ocorrência foi na hiperatividade, mas reparamos aumentos significativos em todos os tipos de conduta", acrescentou.
As crianças cujos sintomas chegaram ao pico entre seis meses e um ano e meio, tiveram entre 40% a 50% mais chances de desenvolverem problemas comportamentais aos sete anos de idade se comparados com meninos e meninas que respiravam normalmente.
As crianças que apresentaram os problemas de conduta mais graves foram aquelas que tiveram problemas de respiração ao longo de todo o período de avaliação e chegaram ao auge aos dois anos e meio.
Os pesquisadores assinalaram em seu artigo que os transtornos de respiração ao dormir poderiam causar problemas de comportamento porque diminuem os níveis de oxigênio e aumentam os de dióxido de carbono no córtex pré-frontal do cérebro.
Além disso, estes transtornos interrompem os processos de restauração durante o descanso e perturbam o equilíbrio de vários sistemas celulares e químicos.

 

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