sábado, 28 de maio de 2016

O ronco e apnéia do sono podem aumentar quase 5 vezes o risco de câncer

Um estudo científico divulgado em maio de 2012 por cientistas da Universidade de Wisconsin-Madison, nos Estados Unidos, revela que pessoas que roncam muito e sofrem de graves distúrbios respiratórios durante o sono têm uma probabilidade quase cinco vezes maior de ter câncer. 


O estudo fez ajustes para levar em conta outros fatores como idade, sexo, índice de massa corporal e fumo, que poderiam influenciar o resultado e foi publicado na American Journal of Respiratory and Critical Care Medicine, revista internacional de maior fator de impacto em medicina respiratória do mundo.
Não se trata de sensacionalismo. Os cientistas acreditam que a correlação pode ser explicada pelo suprimento inadequado de oxigênio durante a noite nos pacientes com o problema. Antes, testes já feitos em camundongos já haviam mostrado que a interrupção intermitente da respiração, que ocorre durante as apnéias do sono, leva a um crescimento mais acelerado de tumores. A explicação é que a falta de oxigênio estimula o crescimento de vasos sanguíneos que nutrem esses tumores. 
"Além disso, o estado de baixa oxigenação em intervalos frequentes durante todas as noites, provavelmente leva à formação de radicais livres e outras substâncias nocivas para o corpo que poderiam induzir à mutações nas células favorecendo o risco de surgimento de câncer", explica o Dr. Marcelo Andrade, pneumologista pela USP e especialista em medicina do sono pela Associação Brasileira do Sono.

Em outros estudos já realizados nas diferentes regiões do mundo, o ronco tem sido associado a um risco aumentado de hipertensão, doença cardíaca isquêmica e acidente vascular encefálico. Os mecanismos são desconhecidos, mas provavelmente mediados pela apneia obstrutiva do sono.

Os pesquisadores norte-americanos analisaram dados de mais de 1,5 mil pacientes que participaram de um estudo sobre Distúrbios Respiratórios Obstrutivos do Sono (DROS) ao longo de 22 anos. A forma mais comum de DROS é a apneia obstrutiva do sono, na qual a respiração é bloqueada, fazendo com que a pessoa fique sem ar. Esse quadro provoca ronco e interrupções do sono levando à quedas repetidas da oxigenação sanguínea. Os participantes passaram por testes a cada quatro anos que incluíram análises de sono e respiração. 
Os resultados mostraram que, enquanto pacientes com uma forma leve de DROS tinham apenas 0,1 vez mais chance de morrer de câncer que aqueles que não sofriam com o problema, nos pacientes com uma forma moderada de DROS a chance de morte por câncer dobrava. A probabilidade aumentava drasticamente de acordo com a gravidade do distúrbio e, naqueles com distúrbios graves de respiração, o risco aumentava 4,8 vezes. 
"A consistência dos indícios dos experimentos anteriores com animais e deste novo estudo epidemiológico em humanos é muito convincente”, disse o líder da pesquisa, Javier Nieto, da Escola de Medicina e Saúde Pública da Universidade de Wisconsin.

“Se a relação entre os DROS e mortalidade por câncer for confirmada em outros estudos, o diagnóstico e tratamento de DROS poderá ajudar a previnir o cancer nas pessoas sadias, além de aumentar as chances de cura ou tempo de vida nos já portadores de câncer”, explica.

10 Perguntas e respostas sobre o tratamento com CPAP

Atenção: O uso do CPAP possui indicações e contra-indicações específicas, que devem ser individualmente avaliadas por um médico especialista. O seu uso inadvertido pode envolver sérios riscos à saúde. 

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1. O que é o CPAP?

CPAP é uma sigla que vem do inglês Continuous Positive Airway Pressure, ou seja, pressão positiva contínua em vias aéreas.  Atualmente é considerado o tratamento mais eficaz e mais utilizado para o tratamento da apnéia obstrutiva do sono.
O CPAP consiste em um pequeno aparelho compressor de ar muito silencioso de alta tecnologia que se conecta, através de um circuito flexível, a uma máscara ajustada ao nariz ou nariz e boca do paciente. Este aparelho previne a obstrução da garganta durante o sono e reestabelece o sono normal ao indivíduo.

2. O CPAP também corrige o ronco?

Sim. O CPAP gera uma espécie de “colchão” de ar na garganta que impede que as estruturas daquela região se aproximem umas das outras, impedindo o seu estreitamento ou obstrução. Dessa forma, o CPAP impede o ronco desde o primeiro momento de uso, mesmo nos casos mais graves ou durante o sono profundo, desde que seja bem calibrado por médico ou equipe especializada.

3. Como é feita a calibragem do CPAP?

A escolha da pressão ideal do CPAP é geralmente realizada através de uma polissonografia com titulação de CPAP, ou seja, um exame em que o paciente dorme com o CPAP e é observado qual a pressão ideal, ou seja, a menor pressão de CPAP suficiente para acabar com o ronco e as apnéias. Atualmente existem CPAPs automáticos, ou seja, que conseguem "perceber" os roncos ou apnéias e aumentam ou diminuem a pressão automaticamente até a correção do problema. O CPAP automático pode substituir o exame de titulação em casos selecionados. Mas atenção: em muitos casos o CPAP automático não é suficiente para substituir a polissonografia de titulação. O médico especialista indicará a melhor forma de calibrar o aparelho para cada caso.

4. O CPAP faz barulho?

Não. Os aparelhos CPAP modernos são extremamente silenciosos. Caso ocorra algum barulho é sinal de que está ocorrendo vazamento ou algo está errado. Procure o seu médico ou equipe especializada nesta situação.

5. O CPAP utiliza oxigênio?

Não. O CPAP utiliza o ar ambiente, ou seja, o mesmo ar que respiramos, pois sua única finalidade é manter a garganta aberta para permitir a adequada passagem do ar durante o sono. Agindo assim, não haverá mais quedas da oxigenação porque não haverá mais dificuldades respiratórias enquanto se dorme. Em alguns poucos casos de portadores de outras doenças respiratórias pode ser acrescentado oxigênio ao uso do CPAP.

6. O CPAP utiliza bateria?

Normalmente não possuem bateria pois não é necessária na grande maioria dos casos. São ligados diretamente na energia elétrica e se houver queda do fornecimento de energia durante a madrugada, não há riscos para o paciente: ele irá respirar como habitualmente fazia antes, só que agora através do aparelho desligado. Alguns poucos modelos de CPAP com preços mais elevados podem oferecer baterias.

7. Quais os efeitos indesejáveis do CPAP?

Os efeitos indesejáveis do CPAP são raros e, na maioria das vezes, são decorrentes da má calibragem ou utilização do equipamento, da escolha de uma máscara inadequada para o tipo do paciente e grau da doença, da falta de orientação ao paciente sobre o uso do aparelho, etc. “É muito frequente observarmos pacientes que não sabem colocar a máscara de forma adequada, que não sabem corrigir os vazamentos que podem surgir eventualmente, ou estão usando o aparelho inadequado para o seu tipo de doença”, explica o Dr. Marcelo Andrade, pneumologista e especialista em medicina do sono pela USP e Associação Brasileira do Sono.
Nestes casos, os pacientes podem relatar ressecamento e obstrução nasal, desconforto, problemas oculares, fobia pela máscara e distensão abdominal por aerofagia (se o paciente deglute o ar). Estudos mostram que uma boa orientação e acompanhamento do médico e equipe especializada em distúrbios respiratórios do sono são os principais determinantes do sucesso na adaptação do paciente ao CPAP. Em alguns casos, quando o uso do CPAP se faz muito necessário, pesquisas mostram algum benefício no uso de doses baixas de um tranquilizante que não cause dependência, e que seja prescrito por um médico especialista, até que ocorra uma familiarização e adaptação ao uso do aparelho, sendo retirada a medicação após alguns dias de uso.

8. O CPAP vicia?

O CPAP pode trazer um sono de melhor qualidade, mais restaurador, com menor número de despertares e maior duração. Por este motivo, alguns pacientes não querem mais dispensar o uso do CPAP, assim como ninguém quer dispensar uma boa cama ou travesseiro. Entretanto, o paciente que interrompe o uso do CPAP não apresentará nenhum tipo de sintoma de abstinência, nem dormirá de uma forma pior do que o fazia antes de usar o CPAP. Ou seja, podemos afirmar que o CPAP NÃO causa dependência ou vicia.

9. Terei que usar o CPAP por toda a vida?

A medicina do sono é uma das áreas da medicina que teve maior evolução nos últimos anos. Se o seu médico lhe indicou o uso do CPAP não pense que será por toda a vida, porque provavelmente não será mesmo. Ou pelo menos, não serão os CPAPs da forma que existem hoje. A cada dia, as máscaras de CPAP estão mais confortáveis e os aparelhos cada vez menores e com recursos de alta tecnologia que tornam mais fácil a adaptação ao seu uso.
A ansiedade provocada pelo pensamento de “ter que” usar um CPAP por toda a vida pode levar ou convencer alguns pacientes a buscarem tratamentos definitivos ou alternativos nem sempre bem indicados e que podem, além de não resolver o problema, trazer prejuízos irreparáveis.
Após uma correta indicação médica para o uso do CPAP o paciente pode encarar o tratamento de 2 formas: a) uma OBRIGAÇÂO ou  b) uma OPORTUNIDADE de tratamento que ele não teria se sofresse deste distúrbio há 30 anos atrás. Por isso, é importante que o médico seja capaz de avaliar, julgar e explicar ao paciente qual é a real necessidade do uso do CPAP e qual impacto teria o tratamento de sua doença ao seu organismo. Ninguém consegue usar o CPAP sem saber exatamente por qual motivo deve usar o CPAP.

10. Qualquer pessoa pode usar o CPAP?

Não. O CPAP é um tratamento sério e o seu uso envolve riscos à saúde, possuindo algumas contra-indicações absolutas. Antes de iniciar o uso do CPAP todo paciente deverá ser avaliado por um médico especialista que irá fazer uma entrevista, exame físico e poderá solicitar alguns exames em busca de possíveis contra-indicações ao seu uso. Algumas complicações podem surgir pelo uso não supervisionado do CPAP, inclusive com risco à vida do paciente como o pneumotórax e pneumoencéfalo. Essas complicações não ocorrem necessariamente no primeiro dia de uso, mas podem ocorrer mesmo após um período longo de uso naqueles pacientes com alterações predisponentes.

O que é ronco e apnéia? Quais os perigos?

O que é o ronco?

 

ronco, distúrbio que afeta 30% da população adulta, é o ruído causado pela vibração do ar durante sua passagem através de estruturas das vias aéreas superiores como a nasofaringe, orofaringe, palato, úvula, amígdalas, adenóide, etc. Ao dormir ocorre uma redução do tônus muscular da faringe estreitando essa região. Quando o estreitamento é suficiente para obstruir parcialmente a faringe, o fluxo do ar ocorrerá com dificuldade, provocando a vibração das partes moles da garganta e o consequente ruído.

O que é apnéia do sono? 

A palavra apnéia significa "parada da respiração". Apnéia do sono é o distúrbio no qual o indivíduo sofre breves e repetidas interrupções da respiração (apnéias) enquanto dorme. As apnéias são causadas por obstruções transitórias da passagem do ar pela garganta de pelo menos 10 segundos de duração. Quando ocorrem apnéias com frequência maior que 5x/hora no sono dizemos que o indivíduo é portador de apnéia do sono.
Estima-se que cerca de 4% das mulheres e 9% dos homens adultos sofram de apnéia do sono, sendo que sua prevalência é maior entre os obesos e maiores de 35 anos.
Curiosamente, apesar de possuir alta prevalência na população, apenas recentemente a medicina reconheceu, através de estudos científicos, os riscos trazidos por esta doença e a importância do seu diagnóstico. Deste modo, sabe-se que cerca de 90% dos indivíduos que possuem apnéia do sono ainda não possuem o diagnóstico ou sequer foram alertados pelo seu médico para a possibilidade de sofrerem desta doença.

O que provoca o ronco e a apnéia do sono?

  • Aumento do peso: este é o mais comum fator de risco nos adultos. O aumento do tecido adiposo no pescoço reduz o calibre da via aérea predispondo a obstrução durante o sono.
  • Idade: com o envelhecimento ocorre diminuição progressiva do tônus e elasticidade dos tecidos da garganta favorecendo a obstrução das vias aéreas.
  • Constituição facial genética e alterações do formato da cabeça e pescoço pode resultar em menor espaço para passagem de ar na boca e garganta.
  • Amígdalas e adenóides grandes, menos comum nos adultos, são causa frequente de apnéia do sono nas crianças.

Quais as consequências da apnéia do sono?

Cada vez que ocorre uma apnéia ocorre uma diminuição rápida da oxigenação sanguínea. A fim de evitar a morte por asfixia, o organismo envia um “sinal” ao cérebro despertando-o por tempo suficiente para conseguir desobstruir a garganta. Ou seja, ocorre um microdespertar que o indivíduo não percebe e nem lembra no dia seguinte. Esse fenômeno pode repetir-se até 1000 vezes em cada noite de sono nos casos mais graves. Após cada microdespertar ocorre também uma descarga aguda de hormônios do estresse como adrenalina e outros que, aliada a queda da oxigenação sanguínea, pode desencadear arritmias cardíacas, infarto do miocárdio e acidentes vasculares cerebrais (AVC) durante o sono. Além disso, a apnéia do sono não tratada, a longo prazo, ocasiona ou agrava várias doenças como ateroesclerose, diabetes, hipertensão, insuficiência cardíaca, infarto do miocárdio, arritmias cardíacas, AVC ou "derrames", entre outras.
Devido ao grande número de microdespertares pelas apnéias repetidas, o sono torna-se fragmentado ocorrendo diminuição do sono profundo e do sono REM nos indivíduos com apnéia do sono. O sono profundo é fundamental para a recuperação do corpo, enquanto que a fase REM (Rapid Eye Movement - fase onde ocorrem os sonhos) é importante para a consolidação do aprendizado e da memória. Assim, a apnéia do sono é uma das causas mais comuns de fadiga, sonolência e dificuldades de aprendizado e memória, entre outros sintomas.

Quais os sintomas da Apnéia do Sono? Quando suspeitar desse distúrbio?

O indivíduo com apnéia do sono raramente percebe que tem dificuldade para respirar durante o sono e por esse motivo, a doença geralmente passa despercebida ao longo de vários anos até o seu diagnóstico. Em muitos casos, a suspeita da doença ocorre por outras pessoas que observam os episódios de apnéia ou devido aos seguintes sintomas que podem ser observados:
  • Ronco alto e interrompido
  • Sono agitado
  • Engasgos noturnos
  • Sonolência excessiva durante o dia
  • Despertares frequentes
  • Levantar-se para urinar à noite
  • Pesadelos
  • Sono não reparador
  • Fadiga crônica
  • Dor de cabeça pela manhã
  • Irritabilidade
  • Apatia, Depressão
  • Dificuldade de concentração
  • Perda de memória
  • Impotência sexual

Paciente tendo Apneia do Sono


Alimentação, Tireóide e Emagrecimento


5 Sinais de Tireoide


domingo, 22 de maio de 2016

Cansaço na perna, coração em perigo

O desconforto nos membros inferiores pode ser sinal de entupimentos lá embaixo. E, nesse caso, o risco de infartar é alto
 Cansaço na perna, coração em perigo

Você já ouviu falar na doença arterial periférica (DAP)? É provável que não – e é justamente a falta de informação que a torna mais ameaçadora. Bem, esse nome pomposo significa que vasos sanguíneos nos membros inferiores estão sofrendo uma obstrução. Como o sangue não consegue circular normalmente por ali, surgem o cansaço e as fisgadas nas pernas. Porém, a grande complicação é que essa doença indica que outras artérias do corpo também podem estar entupidas. Para ter ideia, um indivíduo com DAP corre um risco 60% maior de ter uma obstrução nas artérias coronárias, que abastecem o coração.

E não vá pensando que esse problema é raro. Estima-se que a DAP afete mais de 200 milhões de pessoas no mundo. De 2000 a 2010, cientistas escoceses registraram um aumento de 24% da incidência global da doença. Além dos possíveis piripaques no coração, essa condição abala muito a qualidade de vida do portador, já que uma simples caminhada ao ponto de ônibus pode virar um desafio, com dores e várias paradas ao longo do caminho. Como a DAP está relacionada ao estilo de vida, há alguns hábitos que favorecem os entupimentos. Aqui estão alguns:

+ Cigarro:  a fumaça faz com que as artérias fiquem menos relaxadas, prejudicando o transporte de oxigênio e nutrientes até as extremidades.

+ Ganho de peso: o excesso de gordura propicia um estado inflamatório que contribui diretamente para a circulação embolar.

+ Hipertensão: picos de pressão danificam as paredes dos vasos, facilitando a formação de placas de gordura.

E dá para desobstruir? Dá sim! Para começar, é preciso procurar um especialista. Ele irá confirmar a suspeita de DAP por meio de um exame clínico que compara a pressão arterial das pernas e dos braços – o ideal é que ela seja similar nas duas extremidades. Depois, o médico irá traçar um plano de mudanças para tentar aliviar o tráfego lá embaixo. Confira as principais estratégias:

+ Atividades físicas: melhoram a circulação nas pernas e combatem outros fatores que entopem os vasos, como o sobrepeso e a pressão alta.

+ Remédios: fármacos específicos para a doença não existem, mas há aqueles que controlam elementos de risco, como o diabete e a hipertensão. Talvez, para o futuro, exista uma droga à base de rivaroxabana, um anticoagulante que vem sendo testado pela Bayer.

+ Alimentação: apesar de o efeito ser mais indireto, ela pode contribuir contra ou favor da DAP. Maneire na gordura saturada, no açúcar e no sal, que, em excesso, favorecem a obstrução dos vasos.

+ Stent e cirurgia: situações mais sérias podem cobrar intervenção cirúrgica – hoje, o principal procedimento é a instalação de um stent na artéria da perna. Ele age como um balãozinho que empurra a placa de gordura e desemperra o fluxo sanguíneo.